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Katy Perry Não Foi ao Espaço com Bezos, Entenda o Voo Suborbital

Viagem atinge 100 km de altitude, mas não é órbita espacial.


Katy Perry | Reprodução
Katy Perry | Reprodução

Lauro de Freitas, 14/04/2025 – A recente viagem de Katy Perry em um foguete da Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, gerou debates sobre o que constitui uma viagem espacial.


Contrariando especulações, Perry e Bezos não viajaram juntos ao espaço, mas a cantora participou de uma missão suborbital em 14 de abril de 2025, que alcançou uma altitude de aproximadamente 100 quilômetros acima da Terra.


Essa altitude, conhecida como Linha de Kármán, é reconhecida internacionalmente como a fronteira entre a atmosfera terrestre e o espaço exterior.


A análise do O Bahia Post esclarece como funcionam esses voos, que diferem das missões orbitais tradicionais, e destaca por que a experiência de Perry, embora significativa, não a levou ao espaço profundo, mas sim à borda do cosmos por poucos minutos.


A viagem de Katy Perry fez parte da missão NS-31 da Blue Origin, realizada com o foguete New Shepard, projetado para voos suborbitais. Esses voos são distintos das missões orbitais, como as que levam astronautas à Estação Espacial Internacional, localizada a cerca de 400 quilômetros de altitude.


No caso da NS-31, o foguete decolou de um sítio de lançamento no oeste do Texas às 8h30, horário local, e alcançou uma altitude máxima de aproximadamente 106 quilômetros, segundo dados divulgados pela Blue Origin.


A duração total da missão foi de 10 minutos e 21 segundos, com os passageiros experimentando cerca de três minutos de microgravidade antes de retornarem ao solo. A cápsula, equipada com grandes janelas, permitiu vistas da curvatura da Terra, mas o trajeto foi uma parábola, subindo e descendo sem entrar em órbita.


A Linha de Kármán, situada a 100 quilômetros de altitude, é usada como referência para definir o início do espaço porque, nesse ponto, a densidade atmosférica é tão baixa que asas de aviões convencionais deixam de gerar sustentação, exigindo propulsão por foguetes.


No entanto, voos suborbitais como o de Perry não alcançam a velocidade necessária para permanecer em órbita, que seria de cerca de 28.000 km/h. Em vez disso, o New Shepard acelera a mais de três vezes a velocidade do som, atinge seu apogeu e retorna imediatamente, desacelerado por paraquedas que garantem um pouso suave.


Essa característica torna os voos suborbitais mais acessíveis e menos complexos que as missões orbitais, que requerem semanas de treinamento e equipamentos avançados para sustentar astronautas por dias ou meses.


A missão NS-31 destacou-se por sua tripulação exclusivamente feminina, a primeira desde o voo solo da cosmonauta soviética Valentina Tereshkova em 1963. Além de Katy Perry, participaram a jornalista e piloto Lauren Sánchez, noiva de Jeff Bezos, a apresentadora Gayle King, a ex-cientista da NASA Aisha Bowe, a ativista Amanda Nguyen e a produtora de cinema Kerianne Flynn.


A escolha da tripulação, liderada por Sánchez, buscou promover a inclusão de mulheres no setor aeroespacial, mas também atraiu críticas por ser vista como uma ação promocional da Blue Origin, que opera no crescente mercado de turismo espacial.


O Bahia Post apurou que os passageiros passaram por dois dias de treinamento, focado em segurança, condicionamento físico e procedimentos para microgravidade, contrastando com os anos de preparação exigidos para astronautas de missões orbitais.


Jeff Bezos, fundador da Blue Origin, não esteve a bordo da NS-31, embora tenha participado de um voo suborbital anterior, em julho de 2021, na primeira missão tripulada do New Shepard.


A confusão sobre uma suposta viagem conjunta com Perry pode ter surgido devido à presença de Lauren Sánchez na missão e à associação de Bezos com a empresa. O bilionário esteve presente no local de pouso, em 14 de abril de 2025, para recepcionar a tripulação, mas não embarcou no foguete.


A Blue Origin já realizou 11 missões tripuladas até a data, transportando 58 pessoas acima da Linha de Kármán, incluindo celebridades como William Shatner e Michael Strahan, reforçando sua posição no turismo espacial suborbital.


Os voos da Blue Origin, como o de Perry, são projetados para oferecer uma experiência breve, mas impactante. Após a decolagem, o foguete separa-se da cápsula tripulada cerca de dois minutos e meio depois, com o propulsor retornando ao solo para um pouso vertical controlado.


A cápsula, por sua vez, segue uma trajetória balística até o apogeu, onde os passageiros podem desatar os cintos e flutuar em microgravidade, observando a Terra através de janelas de 1,1 metro.


O retorno começa minutos depois, com a cápsula descendo sob paraquedas até tocar o solo a cerca de 3,2 quilômetros do ponto de lançamento. Esse ciclo rápido, com duração total inferior a 11 minutos, distingue os voos suborbitais de missões orbitais, que exigem sistemas de suporte à vida e reentrada atmosférica complexa.


A altitude de 100 a 107 quilômetros atingida pela NS-31 está significativamente abaixo de órbitas baixas, como a da Estação Espacial Internacional, que opera a 400 quilômetros.


Para comparação, missões orbitais requerem velocidades suficientes para manter um movimento circular contínuo ao redor da Terra, enquanto voos suborbitais apenas cruzam a fronteira do espaço e retornam. Essa diferença explica por que a viagem de Perry, embora tecnicamente espacial, não a levou a um ambiente de vácuo completo ou a uma órbita estável.


A NASA considera 76 milhas (122 quilômetros) como o ponto onde a resistência atmosférica começa a afetar veículos retornando à Terra, mas a Linha de Kármán, a 100 quilômetros, é o padrão global adotado pela Federação Aeronáutica Internacional.


O custo de um assento no New Shepard não é divulgado publicamente, mas especula-se que exija um depósito inicial de US$ 150.000, com preços totais na casa dos milhões. Esse modelo de turismo espacial tem sido alvo de debates, com defensores destacando o potencial de democratizar o acesso ao espaço e críticos apontando a exclusividade para elites financeiras.


A participação de Katy Perry, uma figura pop global, ampliou a visibilidade da missão, mas também gerou questionamentos sobre o impacto real de tais voos para a ciência e a sociedade, especialmente em um contexto de desafios terrestres urgentes.


A Blue Origin, fundada por Bezos em 2000, foca em tecnologias reutilizáveis, como o New Shepard, que reduz custos ao permitir múltiplos voos com o mesmo propulsor. A empresa também desenvolve projetos de longo prazo, como sistemas de pouso lunar, mas o turismo suborbital permanece sua vitrine principal.


A missão NS-31, com Perry e suas colegas, reforçou a narrativa de inclusão, mas não alterou a natureza efêmera dos voos, que oferecem uma experiência sensorial mais do que uma contribuição científica direta.


A viagem de Katy Perry destaca o avanço do turismo espacial, mas também suas limitações. Voos suborbitais, como os da Blue Origin, proporcionam uma visão única da Terra e momentos de microgravidade, mas não equivalem às missões orbitais que marcaram a era Apollo ou a exploração moderna.


A altitude de 100 quilômetros, embora impressionante, é apenas o limiar do espaço, e a experiência, embora transformadora para os passageiros, dura menos de um quarto de hora.


Completando sua missão em 14 de abril de 2025, Katy Perry não viajou com Jeff Bezos, mas integrou uma iniciativa que amplia o alcance do turismo espacial. A Linha de Kármán, cruzada pelo New Shepard, marca o início do espaço, mas também o limite atual dessas jornadas.

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